Diário de uma L Viajante - 2

Como prometido, aqui está a segunda parte...



8º dia 01/02/2007

            Como já passou de meia noite, então é outro dia né? Bom não aguentava mais ficar lá na frente do hospital, levantei, acendi um cigarro, perguntei para o guardinha para que lado ficava o centro, comecei a descer uma avenida que tinha eu e meia dúzia andando (mentira, não tinha tanta gente assim), devido à caminhada, meu corpo começou a esquentar. Estava de boné e coloquei a toca por cima, assim fico parecendo do sexo masculino e é mais seguro por que os caras vão pensar duas vezes antes de mexer. Acho que andei uma meia hora, estava passando por um dos tubos de ônibus que tem lá em Curitiba e sempre fica um cobrador cuidando de cada ponto desses. O cara estava lavando a calçada em volta do tubo, então perguntei a ele onde ficava o centro e do nada quando vi tava conversando altos papos com ele, falamos sobre tudo, falei que era lésbica e que tinha orgulho de ser (sempre falo isso de peito estufado), todo homem se empolga com essas paradas de duas mulheres juntas, muito doido. Menti para ele que meu nome era Shay (o irmão mais novo da Shane, no TLW), disse que era americana e ele pergunto o meu sobrenome, putz! Sorte que veio "McCutheon" na minha cabeça na hora certa (Shay e Shane McCutcheon, seriado salvou minha mentira). Era legal ser chamada de "Shay", vou acabar adotando essa idéia! O trampo dele ia ate as 6 da manhã, então eu estava segura e tinha com quem conversar até o dia amanhecer.
            Meu cigarro acabou, e o cara do tubo super gente boa deu do cigarro dele, me alimentou com pão caseiro que a mulher dele tinha feito e ainda tomei um chazinho. Eram quase 5:30hs, um cara chegou com a calça rasgada, mochila arrebentada, todo suado e com um fraco furo na perna. Ele estava indo para o trabalho e assaltaram ele, foi pular uma cerca para fugir e acabou furando a perna. Sentou lá no tubo com a gente, descansou um pouco e depois pediu minha ajuda para ir até o terminal com ele: "Shay, me ajuda a chegar até o terminal que lá já tem ônibus circulando". Caraca, adorei o "Shay", muito massa! Bom, não podia negar ajuda para o cara né? Levei-o até o terminal (não era longe), deixei ele lá e voltei pro tubo, deu seis da manhã, o sol já estava de pé e eu pronta pra deitar, estava muito cansada, mas tinha que seguir caminho e aproveitar que é de dia pra pegar carona. O cara do tudo me levou até a BR, era bem pertinho de onde a gente estava, agradeci por tudo e fui do outro lado da BR, onde tinha um posto.
            Más noticias, não é essa a BR que vai pra São Paulo. OK! Sentei numa cadeira que tinha ali e pretendia descansar um pouco para depois seguir caminho, quando fui fechar os olhos, um dos frentistas me chamou dizendo que tinha um caminhão que estava indo pra outro posto onde tinha um monte de caminhoneiros carregando pra São Paulo. Nossa, levantei na hora, tinha altas amigas em São Paulo, os endereços todos anotados atrás do meu diário. Dei uma voltinha rápida de um posto para o outro, cheguei lá eram umas 7 da manhã ainda, não tinha quase ninguém, então fiquei conversando com uns caras lá na frente do posto, eles me deram um copo de café e cigarro. Eram umas 8 da manhã e começou a chegar um monte de gente, fui conversando com os caras e fazendo amizade, ai um dos caras já tinha acertado de carregar para São Paulo, e ele disse que me dava carona tranqüilo.
            Fui toda feliz e contente né?! Passamos na "Posigrafi" pra carregar o caminhão, chegamos lá, os caras disseram que só iriam carregar depois do meio dia. Puta que pariu, assim me cortam as pernas. Mas tudo bem, eu estava cansada, não tinha pra onde ir e o cara da carona disse que eu podia dormir na cabine e tals! Perfeito, deitei lá, ele sentou no banco do motorista, até escutamos o CD que eu tinha da Avril (original)! Não vou dizer que ele não deu em cima de mim, mas eu cortei ele, disse que era lésbica e creio que por sorte não tive problemas, ele ficou lá sentado bonitinho, eu dormi até às13:30.

Música perfeita para hoje:
"Eu fico me perguntando até aonde eu posso chegar Os desafios, que no caminho eu irei encontrar Pra enfrentar a vida, nunca pensei que fosse assim Mas não importa, não há barreiras vou até o fim Um plano misterioso... Agarro um sonho e vou, eu vou procurar Sigo em frente é meu destino não importa o lugar Coragem eu terei, e nada por me deter eu vou, sem medo de nada E eu enfrentarei, e derrotarei, todo aquele que for mal Não descansarei, coragem eu terei E nada pode me deter... eu vou, sem medo de nada!"
           
            Quando acordei uma má noticia: não iriam carregar o caminhão hoje! Puta que pariu, agora enfiou uma estaca no meu coração. Bom eu estava meio que tonta, creio que seja porque não tinha me alimentado, ele me levou para almoçar e tals, então voltamos para o caminhão e ele disse: " vendo aquela Van ali? Então, ouvi dizer que ela vai pro rio de janeiro passando por São Paulo, a gente pode tentar uma carona pra ti ali"
            Acabou que consegui a carona com o cara da Van, saímos às 14:30hs ali da frente do Posigrafi, só que ele teria que passar primeiro em casa para pegar roupas e tomar banho, porém eu não poderia ir junto, devido a mulher dele encher o saco. Então ele me deixou num ponto de ônibus perto da casa dele e disse pra eu esperar ali que ele já voltava. Bom, eu não tinha outra opção, porém o cara parecia gente boa e não iria avacalhar né? Fiquei ali no ponto lixando a unha e tirando os pelos da perna com uma pinça, as pessoas passavam e me olhavam estranho e eu nem aí. Não tenho como depilar a perna e não gosto de passar a gilete, então foda-se, quem quiser pode olhar!
            Passaram-se 10 minutos, 15 minutos, 20 minutos e nada do cara, comecei a me preocupar. Deram 25 minutos e nada, mas eu sou muito paciente e o cara inspirava confiança. Em 30 e poucos minutos ele chegou. Nossa, que alivio!
Troquei altas idéias com ele e ouvi de novo: "Você é doida e muito corajosa, mas toma cuidado que por ai tem muita gente malvada..." (e bla bla bla).
            Fui a viagem inteira conversando e escutando música. Foi a primeira vez que utilizei o Mp3 da minha irmã (puta que pariu vezes dois mais três, esqueci meu CD da Avril (original) no caminhão do outro cara lá. Merdaaaaa! Não me acredito, sou uma anta mesmo!)
            A noite, nem idéia de que horas eram, paramos para descansar um pouco, o cara dormiu uma meia hora (ele estava levando apostilas do colégio Positivo) num colchão que jogou em cima das apostilas. Eu dormi no banco da frente. Andamos mais um pouco e ele parou num lugar lá e me pagou uns salgados.
            Pára tudoooooo, dá de acreditar que encontrei com o cara que me deu carona de Balneário Camboriú até Curitiba? Como esse mundo é doido e talvez não seja tão grande quanto parece!
            De barriga cheia deitei lá trás no colchão e o cara foi dirigindo, logo estávamos em São Paulo. Nossa, não estou mais no sul do Brasil, poxa, passamos por dentro de São Paulo, tinha mil túneis que ia para mil e uma direções diferentes. Passamos por cima do rio Tietê, até então eu só sabia da existência dele devido a televisão, pode não parecer grande coisa, mas pra mim era outro mundo. De inicio eu iria ficar em São Paulo né? Porém eu só consegui pensar em ver a Karol (Kah), que mora no rio, passei a noite pensando nela. Então decidi ir até o Rio de Janeiro com o cara.

Este é um depoimento que uma vez a Kah me mandou: “Porque sei lá...num tinha nem lugar..só se ficássemos nos banheiros da vida... ain ain ain banheiros!  Mas essa aí a gente ia ver filmes e tudo mais...e hasuhau =X Mas aí... a menina nem pode sonhar e tambem... E ahn hasuhsauh fiquei falando de você para menina lá q eu fiquei =D Eu juro mesmo... hauhau aí ela fica, “pega”! E eu ¬¬ ela mora longe aí ela disse que ia pro sul nem =) hauhauha aí eu disse pra ela me levar pra eu te conhecer... Aí neam ...só não posso ..é sei lá ah você sabe.. Só falta essa! Eu quero mto mto mto mto t ver e tals e você aí onde o Judas perdeu as botas =/ E cheia d mulé em cima!”  A Kah é toda enrolada pra escrever...

            Voltei a me deitar lá no colchão, e era só a Kah na minha cabeça, ficava imaginando mil frases diferentes para dizer quando a visse, ficava imaginando a reação dela, imaginando a minha reação. Porra, adoro essa menina e nos falamos muito pela Internet, são coisas que só acontecem em filme e em sonho. Acabei dormindo pensando na minha chegada no Rio. Quando acordei, já estava na avenida entrando no Rio. Pulei para frente, acendi o cigarro e fiquei visualizando a paisagem, tudo que eu olhava era pixado, imagine os lugares mais impossíveis de uma ser humano pixar, então... Ate lá estava pixado, juro que não sei como! Tinha muitos carros, muitas pessoas, muito de tudo.
            O ponto para deixar as apostilas era no correio central, rodamos alguns quilômetro procurando o dito correio, quando encontramos, era quase meio dia, para tudo que se olhava dentro do depósito era amarelo e tinha "correios" escrito em tudo também. Deixamos a Van lá encostada para os carinhas descarregarem e fomos tomar um banho (caraca, tomei banho num depósito de correio do Rio de Janeiro). Como é bom tomar um banho depois de dois dias, a água estava geladinha, nossa, muito bom!
          Dei tchau para o cara da Van, agradeci por tudo e tomei meu caminho. Fui primeiramente num orelhão, liguei para casa, minha irmã que atendeu (saudade dela já). Falei que estava no Rio e que era muito louco, ela ficou toda empolgada, certeza que se ela fosse maior de idade teria vindo comigo para essa aventura. Bom, agora estava cada segundo mais perto do meu encontro pessoalmente com a Kah, olhei o endereço dela no final do diário e sai perguntando como fazia pra chegar lá, o real é que tinha de ir de metrô. Que emoção, nunca andei de metrô, perguntei para mil pessoas de modo a ter certeza que estava indo para o lado certo. A fome já estava batendo e a mochila estava altos pesada.
            Saí de um metrô e teria que entrar em outro, tipo, já sabia o caminho, mas perguntei para mais um cara, só para ter certeza. Desci na estação "Engenho da Rainha", como dizia no endereço, agora estou mais perto da casa da Kah (ansiedade). Passei pela roleta e já comecei a perguntar onde ficava a rua "Estrada", que por sorte ficava ali perto, fui andando pela rua 'estrada' e perguntando onde era o condomínio 'Ademar Bebiano', era o único condomínio da região e todo mundo sabia onde ficava, dava até de ver ele de onde eu estava. Caraca a vontade de chegar logo era grande, apertei o passo num sol do caramba, cheguei no condomínio e perguntei ao porteiro se eu estava no lugar certo e ele: "é aqui mesmo moça". Eu só faltava dar pulos! Bom, já estava na cidade 'Rio de Janeiro', na rua 'Estrada', no condomínio 'Ademar Bebiano', e o porteiro disse: "O bloco 7 é aquele ali oh!". Cheguei no bloco 7, agora só faltava o numero do apartamento para completar o endereço. Falei com o porteiro do bloco, mostrei o caderno com o endereço e ele disse: "É a Karol né?"... dai eu: "sim sim... é ela!"... o porteiro: "só um minuto que vou ligar lá!".
            Para ele eu era só mais uma pessoa que estava chegando ali, uma amiga do colégio ou coisa assim, mal ele sabia da minha ansiedade. O porteiro disse: "Ela disse que pode subir!"
            Entrei no elevador toda feliz e nem acreditando que tinha conseguido chegar até ali (lembrei da Nanda que também mora aqui no Rio, azar o dela não ter me passado o endereço, azar por não ter acreditado que eu era doida suficiente, azar não crer na minha palavra), arrumei o cabelo no espelho, tinha que chegar bonitinha né? Cheguei no 7º andar, olhei... Olhei... Aqui, apartamento 207. Toquei a campainha (coração a mil), uma voz disparou: "Já vai!". Quando ela abriu a porta, todas as mil frases que eu havia pensado em dizer, simplesmente se apagaram, a gente se abraçou sem dizer nada, do lado de fora do apartamento mesmo, ficamos uma tempinho abraçadas sem falar nada. Acho que nem pensar eu pensava, só estava feliz por estar ali, é aqule momento em que o tempo para e sua cabeça fica cheia de nada!
            Ela tem o rosto lindo, um corpo massa, porém não imaginava que tinha as pernas tão grossas, a Kah tava de shots curtinho (muuuiiito curtinho).
            Fomos direto para o quarto dela na frente do pc (que saudades de um pc), sentei na cadeira do pc, estava olhando o Orkut, ela chegou perto de mim, não resisti e beijei-a. Nossa que boca macia, que sensação ótima e ela toda preocupada porque o pai dela estava em casa. Putz, nem me liguei, maior lesada eu! Conheci a cachorra dela 'Kadja' que eu sempre via pela web cam.
            Não demorou muito, já estávamos no vizinho dela combinando de ir lá para um tal morro, ficamos uma carinha lá esperando ele tomar banho (ele também é desenhista, mas não do mesmo estilo que o meu, porém arrasa no estilo dele).
            O morro ficava ali pertinho, o único problema foi para subir ele, fizemos praticamente uma trilha, cheguei lá em cima quase morrendo (já era minha época de atleta que subia o morro correndo), mas valeu a pena, a paisagem era lindona. Ficamos sentados numa pedrona, eu fumando meu cigarro e o amigo da Kah fechando um beck (lembro da Karou  e da Fer nesses momentos), logo um outro amigo da Kah chega. Aí eu e a Kah ficamos na frente deles (adoro ficar com meninas na frente de meninos, ainda mais se eles forem heteros, que era o caso), eles terminaram de fechar o beck e foram do outro lado da pedra, dai eu e a Kah ficamos lá viajando, conversando sobre milhões de coisas e de como tinha sido a visão uma da outra na hora em que nos vimos. Caraca, gosto muito dessa menina, nós duas vivíamos dizendo na net que paixão é coisa para fracos, então não era para deixar isso acontecer entre nós. Sei lá, eu fico nessa nóia da ideologia Shaneana o tempo todo, mas que eu sinto algo massa por ela, disso não tenho dúvida, não era simplesmente só mais uma boca que eu estava beijando e sei que isso partia dela também!

      
      Conheci a mãe, a irmã e o pai dela. A irmã é gente boa, o pai tá tranqüilo, porem a mãe, nossa com certeza a mãe dela não foi com a minha cara e nem eu com a dela. O foda é que sou gay, tenho orgulho disso e deixo escrito na minha testa pra quem quiser ler. E ela é preconceituosa, leu na minha testa 'lésbica' e foi dai que não fomos uma com a cara da outra. Fora que ela recrimina a própria filha, o que eu acho um absurdo! A Kah sofre bastante por isso, o que me deixa muito triste!
       Já passava de meia noite e estávamos a Kah e eu, comportadas vendo desenho animado na sala, estava todo mundo dormindo. Pôxa, não sou de ferro e a Kah também não, do nada quando vimos já estávamos nos beijando, ela tem piercing na boca do lado esquerdo e eu do lado direito, caraca muito comédia, aconteceu exatamente como a gente relatava na Internet... 'quando a gente se beijar, os pircings vão acabar agarrando um no outro'. Dito e feito, o meu mais parece um anzol e enroscou no dela que é uma argola fechada, ficamos as duas lá sentadas no sofá com as bocas grudadas, desesperadas com medo que alguém acordasse e visse a cena, por sorte a Kah logo desenroscou e a gente só ria do acontecido, então continuamos a nos beijar, foi esquentando, mãos subiam e desciam, a respiração ofegante e sem contar a adrenalina do medo de alguém levantar. Puta que pariu (elevado a quarta potência, vezes sete mais quatorze), ouvimos o barulho da maçaneta do quarto da mãe dela, aí aconteceu aquela disfarçada de cena que nunca cola, a mãe dela percebeu, é logico.



10º dia 03/02/07

            Uauuuuuu! (como diria a Alice 'TLW') fui pra Ipanema hoje, vi o Pão de Açúcar. É tão bom ver realmente as coisas que antes você só tinha imagem pela dita caixa que lhe mostra o mundo todo sem ter que sair de casa (televisão). Conheci alguns amigos e amigas da Kah, mas obviamente o que tem mais presença era o Dé. Ele é alto, bonito, magro, tem rasta no cabelo comprido e o melhor de tudo, ele é gay e assumido. Isso foi o suficiente para achar ele um cara bacana, ele é quase que uma amiga com corpo de mulher, adoro amigos gays, eles são muito divertidos e tem uma cabeça muito mais aberta e um papo mais inteligente.
            De manhã, aproveitei e lavei umas roupas minhas e a mãe da Kah aproveitou e começou a me fazer umas perguntas:
            - Você tem namorado?
 Eu menti:
            - Tenho sim, ele é de Joinville!
Creio que ela queria ter uma prova:
            - Tem foto dele?
Puta que pariu que mulher chata:
            - Revelada aqui comigo não, mas tem na internet, lhe mostro depois. 
E ela continuou:
            - Quantos anos ele tem? Ele já trabalha?
Tô quase mandando essa mulher tomar no cú, mas pacientemente respondi:
            - Tem 19 vai fazer 20.  E ele está na faculdade de Ciências da Computação.
            Só falta ela perguntar como o conheci  e que número ele calça! Provavelmente ela ainda não estava satisfeita com o fato de eu ter um namorado e continuou com perguntas do tipo... 'pretende ter filhos?' 'e se casar?' 'vai trabalhar no que?'. Sorte minha que a roupa era pouca e logo voltei pro quarto da Kah!
            À noite fomos para Ipanema, o Dé, a Kah, a Mandy, a Bruna e eu. Tinham umas coisas fazendo barulho no meio da rua, parecia um bloco de carnaval, ia todo mundo atrás bebendo, cantando e dançando. Até foi divertido, porém seria melhor se a musica fosse rock e não samba. Muito engraçado os homens dando em cima de mim e da Kah, só praa rir, e do nada a gente se beijava lá no meio da galera mesmo e de olhos fechados ouviamos: 'Que lindo casal' 'Uauuu'! . Adoro a idéia de poder beijar na rua, no restaurante, no ônibus, como fazem os heteros! Mas infelizmente na sociedade ainda existem pessoas que não entendem a homossexualidade, então como entendo a cabeça pequena deles, prefiro respeitar a sua ignorância!
            Deviam ser umas dez horas, a Mandy e a Bruna estavam cansadas e queriam ir embora. Porém eu, a Kah e o Dé ficamos para curtir mais um pouco. Fomos pra uma rua chamada 'Farme de Aumoedo' (acho que esse era o nome), caraca, uma rua só de gays com uns barzinhos maneiros, meu 'gaydar' estava me ensurdecendo. Tadinho do Dé, ele estava praticamente de vela, então entramos em uma missão que achei de inicio muito simples... achar um cara para o Dé. Pôxa, ele é bonito e tals. Saímos a Kah e eu para caçar alguém para nosso amigo, mas puta que pariu, essa bicha é muito seletiva, tem que ser alto, magro, de olhos claros e loiro. Tinha um em cada cinquenta nesse perfil, o primeiro que avistamos estava sentado conversando com um cara, bebendo, trocando umas ideias e aparentemente estavam um com o outro, ok, descarta esse. O segundo que a gente avistou tinha outros dois caras quase saindo na pancada pelo loiro de olhos claros. Pôxa, estava difícil e todos que o Dé diziam que ser bonitinhos, já estavam acompanhados. Passamos mais de uma hora caçando um homem para o Dé e nada. Já era quase meia noite (depois da meia noite o metrô não circula mais) e a gente lá viajando.
            Nossa, tinha muita mulher bonita.  Uma hora estava eu procurando um loiro de olhos claros e acabei vendo um grupo de mulheres me mirando, ai eu olhei, elas ficaram olhando e uma disse: 'arraso em?!' E eu lá de boa, de mãos dadas com a Kah, fiz de conta que não ouvi e continuei procurando.  Quando vimos já eram mais de meia noite, não havia mais metrô, então a única opção era ir de ônibus.
            A mãe da Kah já tinha ligado para saber onde a gente estava e a Kah disse que estávamos no ônibus. Saímos da muvuca e fomos para o ponto mais perto, pegamos um ônibus, descemos e entramos em outro, a mãe da Kah ligou de novo (ô mulher chata), e a Kah mentindo que já estavamos chegando. Ok, agora precisávamos de um terceiro ônibus pra chegar na casa da Kah, porém só tínhamos R$1,50, o que não dava para pagar nem uma passagem e agora? Fudeu! Graças ao capitalismo podre desse mundo, existe na cidade do Rio, veículos coletivo (tipo Kombes)que fazem as mesmas rotas que os circulares, porém por um preço menor (ótima idéia pra levar para o Sul). A passagem nestes é R$1,10 (não lembro bem o preço, mas é por volta disso). Ficamos um tempão esperando o dito transporte, sem ter certeza que iríamos conseguir entrar. Nesse meio tempo, a mãe da Kah ligou de novo (se fosse eu já teria quebrado o celular ou desligado). O carro chegou e pedimos para o cara se teria como irem os três por R$ 1,50. Ele falou para a gente subir. No caminho um cara entrou com R$ 0,50 centavos, outro deu um xarope ou sei lá o que, tadinho do condutor, só se fode!


11º dia 04/02/07

            Hoje é domingo, dormi até tarde, almocei bem pra caramba e fiquei a tarde toda no pc baixando coisas, baixei o bitcomet, o codec, o episódio 17 do Death Note e o programa Subtitle Workshop para o caso de eu ajudar a legendar o 5º episódio do TLW. Falei com a Lê-Katareca pelo MSN, disse para ela que provavelmente na terça-feira eu estaria em Vassouras, então marcamos de nos encontrar na frente da universidade, por volta das 17:00hs do mesmo dia. Falei com o Rah e com o Leone também, depois fui ver TV (a cabo, coisa de rico). Foi o dia de agir como nerd, essa madrugada sai o torrent do TLW e já estou aqui com todos os programas prontinhos para ajudar na legenda!



12º dia 05/02/07


            As noites tem sido uma tortura pra mim, dormir no mesmo quarto que a Kah, na cama ao lado, e não poder fazer nada. Ah vida dura!
            Como eu sou muito foda, esperei a emissão do torrent nessa madrugada, deixei baixado o 5º episódio e fui dormir, quando acordei já estava prontinho para assistir. Tomei um banho, assisti o epi (caralho, esse seriado é o mais foda, deveria ganhar um Oscar) e almocei. Depois daquele dia em Curitiba, é sempre bom saber que vai ter onde dormir e o que comer. Eu crente que depois do almoço iria ajudar a legendar, acabei deitando e dormindo. Kah tirou muitas fotos de mim dormindo, ficaram terríveis!
            Como eu vou embora da casa da Kah amanhã a estávamos a fim de sair, ir para algum lugar onde poderíamos ficar de boa. Então, quando já tínhamos nos arrumado para sair, a mãe dela perguntou:
- Pra onde vocês vão?
 A Kah respondeu:
- A gente vai subir o morro.
A mãe dela indignada:
- Já é muito tarde, por que vocês não vão no shopping?
(Vou matar essa mulher com meus raios ópticos do ódio) e a Kah retrucou:
- Mas queremos ir no morro!
Eu calçando meu tênis, bem na minha, nem abri a boca e lá veio aquela pergunta da mãe dela:
- E quem vai com vocês? Vão sozinhas? Porque para o morro é que não vão à uma hora dessas!
            Ok ainda eram 6 e pouco, mas por mim tudo bem, saindo de perto da mãe dela e estando com a Kah, estava mais do que bom. Ai que me entrometi:

- Kah, vamos dar uma volta lá no centro, sei lá, a gente entra no metrô e vemos no que dá!

            Ponto para mim. Dentro do metrô nós nos beijamos, sem ligar pra quem estivesse olhando, pelo menos da minha parte estava rolando um sentimento massa, mas o qual eu já sabia que não poderia se desenvolver. Quando me davam esses conflitos de sentimento e razão, eu só olhava pra minha memória RAM pendurada no pescoço e ficava tudo bem! Saímos do metrô e embarcamos no ônibus, sentamos lá no fundão. Queria poder fazer isso em Joinville e em Balneário também, mas acho que lá as pessoas são muito mas ignorantes e a reação delas poderia não ser muito boa! Mas foda-se, vou viver o momento aqui.
            Dá de acreditar que passou várias vezes a legenda do seriado na minha cabeça? Estava praticamente me culpando por não estar lá legendando, como se fosse minha obrigação. Pôxa, sai lá de Santa Catarina, estou aqui no Rio de Janeiro em uma viagem maluca e ainda fico me martilizando por uma legenda em que há outras pessoas trabalhando nela. Bom, deixa isso pra lá, é meu último dia aqui com a Kah e quero aproveitar.
        Chegamos na praça, já eram 8 e pouco (sem certeza do horário), sentamos no monumento central da praça, lá estava escuro e não tinha ninguém por perto para encher o saco. Sentei encostada no murinho que tinha e a Kah sentou escorada na minha frente, tipo a cena do filme 'Assunto de Meninas' quando elas começaram a fazer planos para o futuro, a cena mais massa do filme na minha opinião. Conversamos pra caramba, sobre a família dela, sobre a minha, como era no Sul, para onde eu pretendia ir, sobre não nos apaixonar (logicamente entra a Shane na conversa). Entre palavras e beijos ela se virou pra mim e me abraçou, ficamos igual duas bobas, abraçadas por um tempão e o pior de tudo é que choramos uma no ombro da outra. Ok, pra interromper o momento, a mãe dela liga, até parece que ela adivinha o momento certo para ligar. Juro que se eu tivesse uma mãe assim, já tinha ido embora de casa há tempos, fui educada de uma forma diferente e meus pais são foda, com alguns defeitos mas eles confiam na educação que me deram.
            Ficamos mais um pouco ali na praça e quando estávamos indo embora eu disse a Kah que queria ver o nome da praça, para por aqui no diário (General Olavo)! Pegamos um ônibus e depois o metrô, eu disse pra ela que adorava o som que o metrô fazia, aquele som leve de locomoção. Ela disse que ia gravar no mp3 e me mandar pela Internet. A mãe dela ligou novamente quando estávamos no metrô. Quando chegamos na estação final, a irmã mais velha dela e o namorado, estavam nos esperando para acompanhar-nos até na casa dela, pois já era tarde e estamos no Rio de Janeiro né? Achei a irmã dela gente boa pra caramba! Chegando na casa da Kah, a primeira coisa que fiz foi sentar na frente do pc para ajudar na legenda e a Kah foi dormir. Coloquei um fone de ouvido e passei a noite toda sincronizando as falas, terminei eram umas 6 da manhã. Não ganho nada para fazer isso, a não ser o 'muito obrigado' das pessoas que assistem o seriado, isso já é o suficiente pra mim, fico feliz de poder estar ajudando em algo. Porém hoje vou me ferrar, não dormi e tenho uma estradinha pela frente! Quem sabe, chego em Minas!

Comentários

  1. tô contente pra caramba por ter visto que a viagem da mah está toda postada aqui em seu blog! :D valeu demais!! vou ler o restante ao longo dos dias. :)

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