A partir de hoje, vou postar o "Diário de uma L Viajante", que conta a história das viagens que uma amiga muito querida, Maria Angélica (mais conhecida como Mah) andou fazendo pelo Brasil, portando apenas documentos, uma mochila, seu diário e muita vontade, seguindo de cidade em cidade, pegando caronas e conhecendo pessoas.
Deixo para vocês, os primeiros seis dias do "Diário de uma L Viajante".
1º dia - Janeiro de 2007
Não tenho idéia de que dia é hoje, mas é fim de janeiro! Creio que em exatamente uma semana irei começar minha viagem pelo Brasil, é minha vontade e não meu sonho! Estou com essa idéia desde o inicio do ano passado, a verdade é que essa doideira partiu do dia em que eu teclava com a Nanda do Rio de Janeiro, ela era uma espécie de namorada virtual e eu dizia que um dia eu iria visitá-la, porém creio que ela nunca acreditou na minha palavra! Desde então eu falava para todo mundo da Internet que eu iria fazer a tal viagem, e algumas pessoas me passavam o seus endereços e tals... o pior é que a Nanda nunca me passou o endereço dela (filha da mãe), só sabia que era no Rio de Janeiro, Niterói. Mas só com isso não tinha como encontrá-la. Durante o ano a gente parou de se falar, ainda mais porque eu estava namorando uma garota 'na vida real', a gente brigou... e ela saiu na razão, eu fui maior pau no cú, mas tudo bem... já tinha uma monte de outras pessoas que eu queria conhecer!
Vou sem dinheiro, pegando carona na estrada, sim, vou passar fome e frio, mas isso irá fazer com que eu me sinta viva, e viver é o que há de mais precioso na existência humana, quero aproveitar cada segundo da minha vida, pois um dia ela irá acabar. As pessoas dizem que isso é loucura... E não acreditam que eu vá mesmo fazer isso, não me importo... Eu sei que vou fazer, é algo que coloquei na cabeça e não adianta!
2º dia
Estou fumando um cigarro na frente da casa dos meus pais, aqui nunca acontece nada.
Não estou de bom humor, por que estou com a sensação de não ter nada para fazer e não estar fazendo nada significa não existir. Por isso eu escrevo para refletir o mundo podre ao qual pertenço. Vou melhorar o mundo, vou fazer minha existência ter significado, eu vou sentir o vento soprar, sentir a fumaça tomar meus pulmões, sentir meus pés tocar o chão, e vou viver.
3º dia
Odeio o cérebro dos meus pais, é muito pequeno, mais precisamente do tamanho de uma ervilha (ervilhas, hahahaha... lembrar para sempre delas, tadinhas!). Falando em ervilhas, pavor de um dos Fakes da Shane, a que se diz “original” (fake original é só pra rir né?). Não sei qual é a graça de lotar o profile e ficar brincando de montar família no Orkut. Puta que pariu, vai fazer algo que preste! E outra que ela não coloca fotos dela e nunca diz quem é. Ridículo!
Fiz uma seleção de músicas do seriado 'The L Word' (TLW), coloquei na comunidade para que as ervilhas pudessem fazer donwload, uma delas disse:
- "Shane, a fada madrinha de quem curte The L Word".
Hahaha.
Fiz ainda um outro tópico porque estou legendando com mais umas pessoas a 4º temporada do seriado The L Word, que se chama "GLS = Grupo de Legendas da Shane".
Também coloquei o vídeo da abertura do seriado com a legenda da música traduzida. Porra, dá o maior trabalho legendar esse seriado, mas eu adoro ele e nunca tenho nada para fazer, fora os cursos de web e de manutenção de micro (que não vejo a hora de terminar, para poder viajar).
P.S.: peguei a tradução da abertura do seriado, legendei e coloquei na comunidade também, adoro essa letra, vou tentar lembrar de alguns trechos:
"São garotas com vestidos apertados, garotas que dirigem rápido”.
“São fortes com seus chicotes, esta é a maneira que vivemos;”
“Gritando, correndo, amando, vivendo, sentindo...”.
“É assim que vivemos, é a maneira que vivemos, e amamos!"
4º dia
Terminei o trabalho de manutenção de micro, ficou bom eu acho. Era um trabalho que tinha conteúdo pra caralho, nem pesquisei na “net”, fui escrevendo o que eu realmente sabia... Deu só duas paginas, mas não importa, fiz do meu jeito, com uma linguagem bem coloquial, tomara que o professor goste! E pra fazer uma moral, gravei os 14 primeiros episódios do anime 'Death Note' em um CD ! O anime Death Note está muito bom! Melhor anime que já vi, muito foda, todos os humanos deveriam assistir! Pretendo fazer um anime gay muito foda, claro, se sobreviver a essa viagem.
Agora já posso ir para a minha viagem, porém, só partirei na quarta-feira, pois vou legendar o quarto episódio da série (The L Word). Tenho que esperar o vídeo sair na madrugada de segunda-feira (hoje é sábado).
5º dia 29/01/2007
Tem um moleque jogando bola aqui na frente de casa, saudade de quando eu jogava, saudade de treinar todos os dias, de todas as boladas no meio da cara, de arremessar a bola e saudade das minhas amigas também, saudade da república e de jogar o campeonato estadual, coisas que ficaram para trás, e que nunca mais vão voltar, apenas ficaram na minha memória, os melhores anos da minha vida. Porém, vou lembrar com orgulho pois vivi intensamente cada dia, afinal eu sabia que acabaria, é como a vida.
Hoje estou legendando o episódio 4 da quarta temporada de The L Word, acho que hoje fica pronto. Que vida monótona né? Se eu não estivesse legendado o seriado, creio que me sentiria o ser humano mais inútil da face da terra, com 18 anos na cara, quase 19, e não trabalho, puta que pariu, vadia ao cubo, vezes dois mais quatro!!!
6º dia 30/01/2007
Terminamos a legenda em tempo recorde! Em menos de 24 horas após a emissão do torrent, tinha gente que ainda não tinha terminado nem de baixar o vídeo, e o grupo "GLS = grupo de legendas da shane" já estava com a legenda pronta. Ô grupo foda viu!?
Amanhã eu estou de saída para minha viagem, pesando 75 kg e 1,75 de altura, é mais ou menos por ai! Tenho que arrumar minhas coisas hoje, nem pensei ainda o que vou colocar na mochila, na hora eu vejo. Ashauhsuahushuas.
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A etiqueta que me perdoe, mas...,
"SHANEEEEE... GOSTOSA PRA CARALEO"
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"sejam felizes"
Minha marca registrada "sejam felizes!" Adoro colocar isso em tudo que faço, sou feliz de uma certa forma e gostaria que as pessoas também o fossem. Como diria a Tainá, "o que importa é ser feliz!", se tem uma coisa que aprendi com ela, foi a dar valor a cada segundo da minha vida!
Sai de Balneário Camboriú às 16:30 hs, na cara e na coragem! Minha mãe, tadinha, inconformada com isso, mas não teve outra escolha, pois eu iria de qualquer forma!
Bom, sem ter um destino certo, pretendia passar essa noite em Joinville (cidade que morei os três melhores anos da minha vida), tem amigo de sobra!
Logo consegui uma carona na BR - 101, com um caminhoneiro que estava indo para Curitiba, já que ele vai até Curitiba, nem vou parar em Joinville (destinos incertos). O cara era gente boa, fizemos só um parada pra ir no banheiro, beber água e seguimos viagem. Vi que o caminhoneiro acreditava em Deus, dai acabei dando pro motorista o cordão que meu pai me deu lá da igreja e tals, preferia ficar só com o meu da memória RAM, que me passava o lado da razão, realidade e não o da fé e ilusão.
Nossa, minha primeira carona! Contei pra ele o que eu pretendia fazer, ouvi que eu era louca e corajosa, disse para eu tomar cuidado porque tem muita gente mal intencionada por aí. E eu: "Pode deixar... eu sei mais ou menos como é."
Desci perto de um terminal de ônibus, de um bairro sei lá qual, acho que era Pinheirinhos!
Liguei para minha mãe, avisando onde eu estava, disse para ela que iria dormir na casa de uma das minhas amigas, porém eu menti, não tinha amiga nenhuma em Curitiba, mas assim eu a deixaria tranquila.
A primeira coisa que avistei foi um grupo de garotos jogando futebol em uma quadra de cimento e estavam todos descalço, o que me deixou indignada e parei por ali, vendo eles jogarem, até por que não tinha nada para fazer. Liberdade total de uma vadia, ushauhsuahushaus!
Depois eles pararam de jogar, e eu vi três meninos com uma bola de basquete, cheguei perto deles e pedi se eles queriam jogar, eles aceitaram.
Tinha uma hora que estávamos jogando sem parar, mas de repente desceu um homem correndo e outro atrás gritando: "Ele me roubou, ele me roubou, me ajuda porra!". Nós que estávamos jogando basquete olhamos uns para os outros imóveis, e eu me coloquei no lugar do homem que estava sendo assaltado, e corri para ajudar ele, atrás de mim vieram mais dois meninos que estavam jogando, corremos até um hospital, onde conseguimos pegar o assaltante e ele devolveu os pertences do homem, batemos nele e o imobilizamos até a polícia chegar e levar ele, depois voltamos a jogar basquete por mais um tempo.
Nossa, eu e o Guilherme estávamos ganhando com grande vantagem sobre os outros dois, estava até sem graça, tinha um gordinho, ele estava todo suado, a real é que estava nojento de marcar ele e porra, o bicho não acertava nenhuma cesta. Só não falo nada porque cada pessoa faz bem alguma coisa, por exemplo, eu sou péssima no portuguez ("portuguez" palavra inventada pelo grande “milho” Rafael, mais conhecido por Rah, amigo foda da Net).
Nesse momento estou aqui sentada na frente do hospital 24 horas, onde pegamos o cara. Há uma mulher vomitando aqui perto, do meu lado um homem suspeito, com o qual devo tomar cuidado, me parece suspeito, ambulância chegando e saindo o tempo todo. Fumei um cigarro, desenhei umas porcarias nas minhas folhas em branco, depois fui ao banheiro do hospital, nossa, minhas mãos estavam bem sujas do jogo, eu não tinha onde tomar banho, nem onde dormir e nem o que comer. Voltei pra onde estava sentada, creio que era um lugar seguro. Era uma e pouco da manhã (calculando por cima), minha bunda já estava ficando quadrada de ficar sentada ali, fora que tenho pavor de pessoas doentes e tava bem em baixo de uma janela que tinha uma mulher que ficava gritando de dor no estomago: "Me ajuda, por favor, não agüento mais, façam alguma coisa, me ajudem!" Eu tava ficando pior que ela com aqueles gritos, tava esfriando, coloquei a blusa de handball, mas mesmo assim ainda fazia frio.

Mais trechos serão postados...aguardem...
ResponderExcluirtêm o resto da estória?
ExcluirO diário da Mah devia ser postado num blog específico só pra ele. E podia ser postado toooodo, viu :( massa demais, pena que meio que caiu no esquecimento.
ResponderExcluirPois eh...
Excluirqueria saber o resto...(devia ter virado livro) virou dançarina, voltou p Brasil?!
caraca, que legal poder encontrar pelo menos uma parte dessa viagem postada! santo google!
ResponderExcluirnão faço a menor ideia de como achei esse relato pela primeira vez, isso ainda nos tempos de orkut. não participava da comunidade onde ele tava postado. lembro que li um monte, muita coisa mesmo. não tenho certeza se li tudo. só sei que depois o conteúdo da comu virou privado e não tive consegui mais ler. já se passou um bom tempo... viajei um tantinho, mas nunca como a mah. adoro ler relatos de viagem e o dela mexeu muito comigo. na época, nunca tinha lido um relato parecido, de uma menina ir pra estrada sozinha, sem dinheiro e só na base de carona. admiro pra caramba isso. mah era / é uma inspiração.