O que estamos fazendo com nossas crianças?


Lembro do tempo quando era criança, onde criávamos nossas brincadeiras, podíamos correr nas ruas atrás de uma bola ou com nossas bicicletas, quando as casas não precisavam ser verdadeiras prisões muradas e gradeadas, quando podíamos tomar banho de chuva nas tardes quentes de verão e brincar no barro, entrávamos em um pequeno bosque ou parque e criávamos verdadeiras aventuras em nossa “floresta”, quando pedíamos as caixas vazias de fósforo, embalagens vazias, rolos de papel higiênico e um tubo de cola e criávamos os mais diversos brinquedos e com estes, fazíamos surgir novas histórias que povoavam nossa imaginação.
Vejo nas crianças e adolescente de hoje um verdadeiro surto consumista incentivado pela televisão, internet e outros tipos de mídias de comunicação, onde o mais importante não é o que você é enquanto ser humano e social, seu caráter, seus valores, mas o quanto você tem, o que você aparenta ser e os bens que possui, o quanto você consegue levar de vantagem em relação aos outros. E isso não se trata apenas da influência direta dos meios de comunicação, mas principalmente, da forma pela qual essas crianças e adolescentes foram criados, quais os valores e princípios adquiriram dentro de casa e na comunidade onde vivem. Muitos pais acreditam que o papel de educar é da escola e que a eles resta garantir alimentação e abrigo, porém, isso é tão verdadeiro quanto uma nota de R$ 1,99. Cabe aos pais, aos familiares e à comunidade em si, buscar implantar nestas novas e suscetíveis mentes os valores e preceitos morais, a idoneidade de caráter, a honestidade, o respeito ao próximo, entre outros valores humanos. O que presenciamos é um verdadeiro distanciamento do ser humano e uma aproximação cada vez maior e mais perigosa com o ser consumista, influenciável, manipulável e egoísta, onde se aprende desde cedo a ser corrupto, onde o que mais conta é quanta vantagem se pode tirar sobre os demais e não a busca pelo crescimento mútuo.  Nossas crianças estão crescendo num meio sócio-cultural cada vez mais defasado e promíscuo, começando pela própria programação de televisão, seguindo às “músicas”, a criação mercadológica de produtos obviamente adultos feitos para crianças, como roupas sensuais, calçados de salto, maquiagem, brinquedos que remetem à violência, bem como jogos eletrônicos que abordam e trabalham essencialmente isso: a violência, o desrespeito pela vida humana, a sexualidade. Está na hora de repensarmos todo este cenário, dar mais atenção a essas coisas que parecem tão comuns e “inofensivas” e nos preocuparmos mais em adquirir e a repassar todos esses valores há muito esquecidos, influenciar as jovens mentes à leitura (e também lermos mais), ao caráter argumentativo, não aceitando tudo como verdade absoluta ou se resignar e dizer que o mundo é assim mesmo e que sozinhos não poderemos mudar o mundo ou como ele está hoje. Realmente, sozinhos não conseguiremos, mas se cada um de nós fizermos nossa parte, temos a chance de mudar um pouco essa vil realidade, começando em nossa relação com os pequenos e estendendo elas aos demais integrantes de nossa comunidade, de nossa sociedade. Se cada um de nós conseguir plantar e fazer vingar uma única semente, a próxima geração poderá ter uma sociedade mais justa, mais ciente de seus direitos e deveres, além de consequentemente, melhores condições de vida, saúde, relacionamentos humanos de qualidade, menos violência, mais compaixão, mais respeito e com mais valores. Para que isso se efetive, não precisamos de rios de dinheiro, precisamos apenas ter em mente uma única e fundamental palavra, que é a chave de todo o resto: EDUCAÇÃO, e esta começa dentro de casa.

Daiane Peroza


Imagem: Internet

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